“Vale a pena insistir no meu sonho e não desistir de primeira”

Por Raquel Monteiro e Tatiana Vianna

“Vale a pena insistir no meu sonho e não desistir de primeira” explica Fernanda, que optou por se dedicar ao cursinho pré-vestibular durante este ano. Seu objetivo é cursar Medicina.

A incerteza do “após” o ensino médio normalmente assusta quem está para concluí-lo, mas Fernanda Clares Alves de Souza, mostra que é preciso seguir em frente e estar aberto para novos caminhos. Hoje aos 18 anos, concluiu o ensino médio na ETEC Júlio de Mesquita, tendo se formado no ano passado.

Enquanto cursava o 3º ano do ensino médio, Fernanda sofreu um forte abalo em sua saúde emocional que a prejudicou nos resultados dos vestibulares, mas ainda assim conquistou uma vaga no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que consta entre os melhores do Brasil em rankings como RUF (Ranking Universitário da Folha) e Guia do Estudante.

Como seu grande sonho é estudar Medicina, decidiu não desistir, mas engana-se quem pensa que os planos de Fernanda param por aí:  “Futuramente, quando eu estiver com a minha vida profissional estabilizada, gostaria de estudar filosofia, e algum curso de exatas, matemática ou física, apenas por prazer”, vislumbra.

Fernanda sempre gostou de estudar e acabava por explicar matérias aos outros alunos, o que sempre lhe rendeu enorme satisfação. Atualmente desempregada, decidiu encarar o desafio de ingressar no Projeto Monitoria, juntamente com outros ex-alunos da escola.

Após viver a experiência de ser aluna em cursinhos populares, passou a refletir sobre a imensurável importância de ajudar aqueles não podem pagar e precisam ter suas dúvidas sanadas. Somado a isso, as lembranças das muitas dificuldades que já teve em algumas matérias e que hoje em dia foram superadas graças à ajuda e paciência de pessoas que se dispuseram a ensiná-la, são motivação para seguir trabalhando de forma voluntária na Monitoria.

 

ETEC Júlio de Mesquita

“Na ETEC tem lugar para todo mundo, todos os tipos de pessoas… Lá eu consegui descobrir quem eu realmente sou” resume. Todos que passam pela ETEC têm uma experiência única e muitas histórias para contar, e isso começa logo no 1º ano, que é bastante imprevisível porque tudo é novo para quem está chegando à escola. Embora as atividades realizadas pelos alunos se repitam de ano em ano, sempre há um novo evento que acaba surpreendendo os alunos ingressantes.


“A semana cultural foi, dentre os eventos da ETEC, o mais marcante, embora a semana do Integra ETE também seja responsável por uma coleção de bons momentos”
conta.

Um desses momentos foi compartilhado com um grupo de amigas denominado “ousadas da ETE”, que surgiu a partir de um trabalho de dança proposto nas aulas de educação física. Já no 1º ano, Fernanda e seu grupo planejaram como seria a apresentação de dança quando estivessem no 3º ano da escola. E ela diz ter valido a pena todo preparo e esforço para sair exatamente como planejado. O grupo fechado de amigas “ousadas da ETE” mais tarde se juntou a um outro grupo de meninos da área técnica de eletrônica, o qual recebeu então o nome de “super bonde”.

O 2º ano de Fernanda foi marcado pelas relações interpessoais, e as amizade que foram se firmando ao longo do tempo.  Não é à toa que em meio a tantas boas lembranças a escolhida como a melhor de todas tenha acontecido justamente nesse período: o “etepalooza” .

Fernanda e seus amigos montaram uma banda e lançaram uma setlist tão boa que ouve até hoje. “Foram necessários muitos ensaios e tivemos muitos gastos, mas valeu a pena” relembra.

O 3º ano, marcado pela maior união da turma, relação com os professores e semana dos veteranos têm lugar único no coração da ex-aluna.

“A ETEC tem uma característica única, por ser uma escola só de ensino médio e técnico: receber alunos de diversas cidades e culturas” diz Fernanda, que completa dizendo que a escola marcou profundamente sua vida, já que lá abandonou muitos paradigmas que trazia do ensino fundamental e com isso, pôde amadurecer muito. “Há lugar para todos os tipos de pessoas, todos encontram um grupo com a sua cara” explica e, se emociona ao dizer que lá ela conseguiu se descobrir.